VERA MOTA:

A SALA, 29 de Fevereiro, 22h30
Rua Do Bonjardim
Esta trata-se de uma peça de dança onde a música adquire o lugar
de essencial guia e mote de toda a sua formulação, numa relação
em que é a intimidade com esta e com o espaço que a permite que
vem, a cada instante, definir a instabilidade dos corpos apresentados.
Nas palavras de Paul Valéry, «A dança é toda uma outra coisa. É sem
dúvida um sistema de actos, mas sem fim em si mesmos. Não conduz
a nada. E se persegue um qualquer objectivo, é um objectivo ideal, um
estado de inebriamento, um fantasma de flor, um momento extremo, um
sorriso que se forma finalmente no rosto de quem o solicitava ao espaço vazio.
Não se trata, pois, de efectuar uma operação finita, e cujo fim se situa
algures no meio que nos circunda; mas sim de criar, e de manter
exaltadamente, um certo estado, graças a um movimento periódico que
pode ser executado no mesmo sítio; movimento que se desinteressa quase
completamente da vista, mas que se excita e regula pelos ritmos auditivos.»
(Oxford, 1939).
Penso que é mais ou menos isto o que, com pouco mais, se está aí a fazer.
Agradecimentos: Escola Superior de Dança, Isabel Duarte, João Fiadeiro.





